Ucrânia fecha acordo sobre exploração de minerais com EUA – 25/02/2025 – Mundo


Kiev acertou os termos com Washington em um acordo sobre minerais que as autoridades ucranianas esperam que melhore as relações com o governo de Donald Trump e abra caminho para um compromisso dos Estados Unidos de segurança de longo prazo.

Autoridades ucranianas afirmam que Kiev está pronta para assinar o acordo sobre o desenvolvimento conjunto de seus recursos minerais, incluindo petróleo e gás, depois que os EUA abandonaram as exigências de direito a US$ 500 bilhões em receita potencial proveniente da exploração dos recursos.

Embora o texto não contenha garantias de segurança explícitas, as autoridades argumentaram que haviam negociado termos muito mais favoráveis e descreveram o acordo como uma forma de ampliar o relacionamento com os EUA para reforçar as perspectivas da Ucrânia após três anos de guerra.

“O acordo sobre minerais é apenas parte do quadro. Ouvimos várias vezes do governo dos EUA que ele faz parte de um quadro maior”, disse Olha Stefanichina, vice-primeira-ministra e ministra da Justiça da Ucrânia, que liderou as negociações, ao Financial Times nesta terça-feira (25).

Os termos altamente onerosos da minuta original —que o presidente Donald Trump apresentou como uma forma de a Ucrânia pagar aos EUA pela ajuda militar e financeira desde a invasão em grande escala da Rússia em 2022— provocaram indignação em Kiev e em outras capitais europeias.

Depois que o presidente Volodimir Zelenski rejeitou o texto inicial na semana passada, Trump o chamou de ditador e pareceu culpar a Ucrânia por iniciar a guerra.

A versão final do acordo, datada de 24 de fevereiro e vista pelo jornal Financial Times, estabeleceria um fundo para o qual a Ucrânia contribuiria com 50% dos rendimentos da “futura monetização” de recursos minerais estatais, incluindo petróleo e gás, e logística associada. O fundo investiria em projetos na Ucrânia.

Ele exclui os recursos minerais que já contribuem para os cofres do governo ucraniano, o que significa que não cobriria as atividades existentes da Naftogaz ou da Ukrnafta, os maiores produtores de gás e petróleo da Ucrânia.

No entanto, o acordo omite qualquer referência às garantias de segurança dos EUA, que Kiev havia insistido originalmente como contrapartida para concordar com o acordo. Ele também deixa questões cruciais, como o tamanho da participação dos EUA no fundo e os termos dos acordos de “propriedade conjunta”, para serem resolvidos em acordos posteriores.

Depois de três anos em que os EUA foram o principal doador de ajuda militar de Kiev, Trump reverteu a política de Washington abrindo conversações bilaterais com a Rússia, sem nenhum aliado europeu ou a Ucrânia na mesa.

Autoridades ucranianas disseram que o acordo foi aprovado pelos ministros da Justiça, da Economia e das Relações Exteriores, e mantiveram a perspectiva de Zelenski viajar para a Casa Branca nas próximas semanas para uma cerimônia de assinatura com Trump. Segundo uma das autoridades americanas, essa será uma chance para o presidente discutir o panorama geral e, depois disso, pensar nos próximos passos.

A proposta inicial abrangente do governo Trump previa um fundo de investimento para a reconstrução no qual os EUA “manteriam 100% de participação financeira”. A Ucrânia contribuiria com 50% das receitas do fundo provenientes da extração de recursos minerais, incluindo petróleo e gás e infraestrutura associada, até um máximo de US$ 500 bilhões. Esses termos, descritos como inaceitáveis pelas autoridades ucranianas, foram retirados da minuta final.

O mandato para que o fundo invista na Ucrânia é uma mudança adicional que Kiev havia solicitado. O documento afirma que os EUA apoiarão o desenvolvimento econômico da Ucrânia no futuro.

As autoridades ucranianas acrescentaram que o acordo era apenas preliminar e que nenhuma receita mudaria de mãos até que o fundo estivesse em vigor, o que lhes daria tempo para resolver quaisquer possíveis desentendimentos. Entre as questões pendentes está a jurisdição do acordo.

O governo de Zelenski também terá que buscar a aprovação do Parlamento ucraniano, onde a oposição sinalizou que, no mínimo, terão um debate acalorado antes de ratificar tal acordo.

Karoline Leavitt, secretária de Imprensa da Casa Branca, disse a jornalistas nesta terça que era “fundamental que esse acordo fosse assinado”, embora ela não tenha fornecido uma atualização sobre as negociações.



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