EUA: Obama e Kamala criticam retrocessos no governo Trump – 04/04/2025 – Mundo


Barack Obama e Kamala Harris, ex-presidente e ex-vice, respectivamente, criticaram na quinta-feira (3) o governo de Donald Trump. Em comentários raros sobre a atual gestão, os democratas apontaram o que seriam retrocessos nas áreas de direitos humanos e liberdades individuais, algo que teria provocado uma “grande sensação de medo” em todo os Estados Unidos.

Obama mencionou os esforços de Trump para remodelar o governo federal, reprimir a imigração e intimidar a dissidência. Também comentou sobre os ataques feitos pelo republicano contra veículos de comunicação e o sistema jurídico.

“Imagine se eu tivesse feito tudo isso”, disse ele em evento no Hamilton College, em Nova York, segundo a rede americana CNN. “É inimaginável que os mesmos partidos que estão calados agora teriam tolerado um comportamento como esse de mim ou de vários de meus antecessores [na Presidência].”

O ex-presidente afirmou que as tarifas impostas pelo atual governo a vários países “não serão boas” para Washington, ainda de acordo com a emissora. Mas a sua maior preocupação, enfatizou, é o que ele chamou de violação de direitos por parte da Casa Branca.

“Estou profundamente preocupado com um governo federal que ameaça as universidades se elas não entregarem os estudantes que estão exercendo seu direito à liberdade de expressão”, disse Obama.

A ofensiva de Donald Trump para retirar financiamento público de universidades atinge parte das instituições de ensino superior de mais prestígio do país. Quatro das oito integrantes do grupo de elite apelidado de Ivy League perderam fundos federais ou estão em vias de perdê-lo: Columbia, Harvard, Princeton e Pensilvânia, todas localizadas na Costa Leste.

As medidas do governo se baseiam em grande parte na acusação de que essas universidades não fizeram o suficiente para impedir protestos pró-Palestina no campus. Alinhado a Israel, Trump diz que as manifestações são antissemitas e que, portanto, contrariam a sua política.

Em outro evento, também na quinta, Kamala disse que a volta de Trump à Presidência criou “uma grande sensação de medo”, o que inibe manifestações contrárias ao governo.

“Estamos vendo as organizações ficarem quietas. Estamos vendo aqueles que estão capitulando diante de ameaças claramente inconstitucionais. E essas são as coisas que estamos testemunhando, todos os dias, nos últimos meses em nosso país. Isso, compreensivelmente, cria uma grande sensação de medo”, disse ela, por vídeo, na Leading Women Defined Summit.

“Não estou aqui para dizer que eu avisei”, acrescentou Kamala, provocando risadas na plateia. Candidata pelo Partido Democrata, ela foi derrotada pelo republicano na corrida à Casa Branca do ano passado.

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem tomado uma série de medidas para intensificar a repressão a migrantes em situação irregular e mesmo aos que possuem autorização para estar no país.

O desmantelamento do Estado também está no foco das preocupações do atual governo. Desde que o republicano assumiu, funcionários públicos têm sido pressionados a se demitir, agências governamentais inteiras estão sendo fechadas, e os recursos federais para estados e ONGs foram bloqueados.

O Doge, sigla para o departamento criado via decreto por Trump com a tarefa de cortar gastos, tendo Musk à frente, atropelou regras de estabilidade de funcionários públicos, e o Executivo se apropriou de atribuições do Congresso.



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