Reunião só com homens de provável próximo premiê reacende debate de gênero na Alemanha – 27/02/2025 – Mundo


Seis homens reunidos em torno de uma mesa, sorridentes, enquanto nenhuma mulher aparece na cena: essa fotografia, amplamente compartilhada nas redes sociais, reacendeu o debate sobre a desigualdade de gênero na política alemã. No centro da polêmica está Friedrich Merz, provável futuro primeiro-ministro da Alemanha, e sua equipe de transição.

A foto foi publicada por Markus Söder, aliado de Merz e líder do partido União Social-Cristã (CSU), acompanhada da legenda: “Estamos prontos para a mudança política na Alemanha”. No entanto, o que chamou a atenção foi a total ausência de mulheres no encontro, composto por homens entre 47 e 69 anos.

A colíder do Partido Verde, Franziska Brantner, criticou o vencedor das eleições do último fim de semana após a publicação da imagem, afirmando que “até o novo governo sírio é provavelmente mais diverso do que a equipe de negociação da União”. Já Ricarda Lang, sua antecessora no cargo, resgatou um comentário antigo de Merz ao comentar o caso: “As cotas prejudicam principalmente as próprias mulheres”.

A ausência de Dorothee Bär, uma das poucas mulheres com chances reais de integrar o futuro governo conservador, também gerou questionamentos. Mesmo tendo conquistado a maioria absoluta em seu distrito, ela não foi chamada para a reunião. Lilli Fischer, política do CDU —partido de Merz—, justificou a situação ao afirmar que “a secretária-geral poderia ter sido uma mulher, se todas as mulheres convidadas não tivessem recusado. Isso também faz parte da verdade”.

Os resultados das eleições reforçam a questão da representatividade feminina no parlamento. As mulheres agora ocupam 32,4% das cadeiras, uma redução em relação aos 35% anteriores. O Partido Verde lidera com 61% de representação feminina, enquanto a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, apresenta o menor índice, com apenas 12% —embora sua líder mais proeminente seja uma mulher, Alice Weidel. A CDU e a CSU, por sua vez, ficam no meio do caminho, com 23% e 25%, respectivamente.

Historicamente, a CDU teve figuras femininas de grande influência, como Angela Merkel —ex primeira-ministra alemã— e Ursula von der Leyen —presidente da Comissão Europeia. No entanto, Merz, 69, busca distanciar o partido do centro político adotado durante os anos de Merkel, e muitos temem que isso signifique um retrocesso na inclusão de mulheres nos espaços de poder.

O atual premiê, Olaf Scholz, manteve um governo de centro-esquerda com equilíbrio próximo de 50% entre homens e mulheres até a recente crise que desmantelou sua coalizão. Merkel, por sua vez, apesar de se opor a cotas, garantiu uma presença feminina significativa em seus gabinetes, chegando a ter 9 ministros homens e 8 mulheres.

Já Merz rejeita explicitamente a ideia de um governo paritário. “Não estaríamos fazendo nenhum favor às mulheres com isso”, afirmou no ano passado, citando a nomeação controversa da ex-ministra da Defesa Christine Lambrecht, que renunciou em janeiro de 2023, como um exemplo de erro na escolha de lideranças femininas.

Apesar disso, em 2022, ele implementou uma cota de paridade de gênero na diretoria executiva da CDU, justificando a decisão como um sinal de que a questão da representatividade feminina é levada a sério pelo partido. A recente fotografia, no entanto, sugere que a prática pode não estar tão atrelada ao discurso.



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