Ex-espião uruguaio quer prestar depoimento oficial sobre morte de Jango


Neira foi designado pelo governo uruguaio a monitorar o brasileiro e colocar escutas na fazenda onde esteve, entre 1973 e 1976.

Em 2015, em um depoimento para o documentário Operação Condor: Verdade Inconclusa, Neira já havia dado informações de como o ex-presidente era considerado como uma “ameaça” ao regime militar.

“Jango se tornou perigoso para o regime porque ele aglutinava pessoas com poder político de diversas correntes”, disse. “Sua participação em um plano de retorno ao Brasil era vista como uma ameaça. O governo militar não considerava o momento propício para o seu retorno”, afirmou Neira.

No documentário, Neira ainda contou sobre conversas que escutou de generais e militares brasileiros e estrangeiros durante o governo de Ernesto Geisel.

A versão do ex-agente é ainda de que a execução envolvia a troca de medicamentos aplicados no ex-presidente.

Naquela ocasião, Neira também detalhou os esforços para impedir a realização de uma autópsia. “Tivemos que nos ocupar da permanência de Jango por 48 horas, no mínimo, para evitar que a autópsia fosse feita”, disse.

A decisão do ex-agente foi recebida de forma positiva pelo filho de Jango. “O caso João Goulart não está finalizado”, afirmou João Vicente Goulart. “Ele está aberto na Justiça do Rio Grande do Sul. Não é aceitável que a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos investigue a morte de Juscelino Kubitschek e ignore a de Goulart”, insistiu. “A falta de esclarecimento sobre esse caso é algo que não podemos mais tolerar”, afirmou.





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