MPF denuncia esquema de indicações irregulares na Ufra

Uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) expõe um suposto esquema de nomeações temporárias que violam normas estatutárias e democráticas da instituição. O caso, que tramita na 5ª Vara Federal Cível do Pará, pode suspender as eleições para reitoria e anular decisões do Conselho Universitário (Consun), gerando incertezas na comunidade acadêmica.A Ufra enfrenta uma crise institucional após denúncias do MPF sobre a manutenção de coordenadores de curso em caráter temporário desde 2019, contrariando o regimento interno da universidade, que limita tais nomeações a 60 dias em casos excepcionais. Segundo a ação, a reitoria, comandada por Herdjania Veras, não realizou eleições para esses cargos, mantendo indicações que já ultrapassam dois anos.O MPF aponta que os coordenadores pro-tempore integram o Consun, órgão responsável por decisões estratégicas e alterações regimentais. Essa composição irregular gera conflito de interesses, já que os membros não foram eleitos pela comunidade acadêmica e, portanto, não representam legitimamente estudantes, docentes e técnicos administrativos.Conteúdos relacionados:IFPA abre processo seletivo para diversos cargos em quatro campiGoverno vai liberar saldo do FGTS a quem optou por saque-aniversárioA reitora havia se comprometido com o MPF a realizar as eleições até março de 2024, mas nenhuma providência foi tomada. Um novo grupo de trabalho foi criado para estudar modelos de seleção, adiando o pleito para março de 2025. A ação judicial destaca que a reitoria condicionou a realização das eleições a mudanças nos critérios de coordenação, como gratificações e redução de carga horária, medidas que, segundo o MPF, não justificam o descumprimento do regimento interno.O MPF solicita à Justiça Federal a realização imediata de eleições para coordenadores de curso, com prazo máximo de 60 dias; o afastamento dos coordenadores pro-tempore em exercício até a conclusão do processo eleitoral e, por fim, a nulidade das decisões do Consun enquanto estiver composto por membros irregulares.Caso a liminar seja concedida, todo o processo eleitoral da Ufra pode ser paralisado, incluindo a escolha do próximo reitor e vice-reitor para o mandato 2025-2029. A ação também pode resultar na anulação de decisões administrativas tomadas pelo Consun, impactando a governança da universidade e gerando incertezas na comunidade acadêmica.Quer saber mais notícias do Pará? Acesse nosso canal no WhatsappA Ufra, uma das principais instituições de ensino superior da região amazônica, já enfrenta diversos processos administrativos contra a gestão da reitora Herdjania Veras. O caso revela um cenário de ingerência política e falta de transparência, que pode comprometer a credibilidade da universidade e o futuro da educação na região.A Justiça Federal deve decidir em breve sobre o pedido de liminar, cujo resultado pode redefinir a estrutura de poder na Ufra e influenciar diretamente a governança da instituição nos próximos anos.
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