big techs usam desinformação para “desestabilizar nações inteiras”



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atacou as grandes corporações de tecnologia – conhecidas como “big techs” – nesta quarta (26) afirmando que elas supostamente usam desinformação para “silenciar e desestabilizar nações inteiras”, e que o domínio da inteligência artificial não pode deixar os países do Sul Global à margem dela.

As críticas foram feitas durante a abertura da primeira reunião de sherpas (representantes) dos países integrantes do Brics, que o Brasil preside neste ano, no Palácio Itamaraty, em Brasília.

“A inteligência artificial traz desafios éticos, sociais e econômicos. Essa tecnologia não pode se tornar monopólio de poucos países e poucas empresas. Grandes corporações não têm o direito de silenciar e desestabilizar nações inteiras com desinformação”, disparou Lula no discurso de abertura dos trabalhos.

Lula afirmou que o grupo do Brics precisa “tomar para si” a tarefa de recolocar no centro dos debates para construir uma “governança justa e equitativa” da tecnologia “sob o amparo das Nações Unidas”, como uma defesa para que a inteligência artificial não fique restrita a apenas alguns países e corporações.

“Não podemos permitir que a distribuição desigual dessa tecnologia deixe os países do Sul Global à margem”, emendou.

Ainda durante o discurso e nesta mesma toada, Lula defendeu que a presidência brasileira do Brics reforçará a defesa por um “mundo multipolar” e de relações “menos assimétricas” entre os países, com uma reforma da governança principalmente da ONU e do Conselho de Segurança. Este é um objetivo que o presidente tenta desde o início deste terceiro mandato, e que não conseguiu fazer avançar durante a presidência rotativa do órgão em outubro de 2023.

Em outro ponto do discurso, Lula criticou o que chama de “escalada protecionista do comércio e investimentos”, em referência à imposição de sobretaxas dos Estados Unidos a outros países, mas sem citar nominalmente. A crítica se tornou comum em falas dele.

“Reforça a importância de medidas que busquem superar os entraves à nossa integração econômica”, pontuou. O grupo do Brics é um dos alvos de Trump.

Lula retomou a defesa pela criação de novas opções de pagamentos “voluntárias, acessíveis, transparentes e seguras” para “reduzir vulnerabilidades e custos. No passado, ele chegou a defender publicamente a substituição do dólar por outras moedas nas transações comerciais entre países, mas foi ameaçado por uma sobretaxação por Trump.

“Precisamos de soluções que diversifiquem e agreguem valor à produção de países em desenvolvimento”, pontuou.

Lula também defendeu o fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) após a saída dos Estados Unidos e da Argentina, afirmando que supostamente houve uma tentativa de sabotagem dos trabalhos que pode levar a “graves consequências” principalmente em relação a novas pandemias globais.

Ele ainda enalteceu o acordo feito entre o Brasil e a China para o “clube da paz” que busca uma solução para a guerra da Rússia contra a Ucrânia, que não avançou em uma proposta eficaz, e afirmou que o conflito em Gaza “só será resolvido com o envolvimento dos países da região”.

O presidente ainda defendeu a necessidade de avançar nas discussões para o enfrentamento à crise climática durante a COP 30 de Belém, em novembro, e que o grupo do Brics tem a “força política necessária” para cumprir os objetivos.

“Estou convicto de que o Brics seguirá sendo o motor de mudanças positivas para as nossas nações e para o mundo”, concluiu.

Os temas prioritários para a presidência brasileira incluem a cooperação em saúde global, mudança do clima, comércio, investimento e finanças, governança da inteligência artificial e desenvolvimento institucional do Brics. A Cúpula de Líderes está marcada para os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.



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