Governadores de direita superam aprovação de Lula; veja números



A queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos meses contrasta com o melhor momento na aprovação de alguns governadores de direita e que são cotados como potenciais candidatos a enfrentarem o petista nas eleições de 2026. O cenário está desenhado a partir de dados de pesquisas recentes da Genial/Quaest.

No fim de janeiro, o instituto apontou que pela primeira vez no terceiro mandato de Lula a desaprovação dele superou numericamente o índice de aprovação: 49% contra 47%. A aprovação de Lula, inclusive, caiu em redutos da esquerda, como a região Nordeste, onde chegou a 59% — em dezembro de 2024 era de 69%. Nas demais regiões, a desaprovação supera a aprovação.

Em contraponto, uma nova pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (27), mostra índices de aprovação bastante expressivos por parte dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); de Goiás, Ronaldo Caiado (União); do Paraná, Ratinho Junior (PSD); e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Todos os cinco estão com mais de 60% de avaliação positiva.

Dessa lista, três governadores são potenciais candidatos a presidente em 2026: Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Tarcísio de Freitas. Caiado, inclusive, anunciou o lançamento da pré-candidatura ao Palácio do Planalto para o mês de abril. Por sua vez, Tarcísio declarou recentemente que pretende tentar a reeleição ao governo de São Paulo.

A boa aprovação popular faz Tarcísio perseguir o projeto de reeleição no estado, um caminho considerado tranquilo, mesmo com uma projeção interessante caso ele resolvesse disputar a Presidência.

Ratinho Junior tem respondido que depende de uma costura partidária e de consenso com os demais governadores do grupo, mas é apontado por aliados e outros nomes da direita como possível representante desse espectro na disputa. Isso, claro, se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não conseguir reverter a inelegibilidade de oito anos.

Gestão técnica alavanca popularidade de governadores

De acordo com a doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP Deysi Cioccari, essa discrepância entre os índices de popularidade de Lula e dos governadores não pode ser reduzida a um fator meramente ideológico, pois a percepção da população sobre a gestão estadual é influenciada por diversas variáveis, geralmente as que afetam o dia a dia da população.

“O que esses números indicam, além da questão ideológica, é que os governadores bem avaliados compartilham estratégias de gestão voltadas para pragmatismo econômico, discurso de eficiência e, em alguns casos, uma postura mais rígida na segurança pública”, analisa.

Alarme está soando em toda a esquerda, com potenciais adversários chegando a 2026 em um bom momento.

Para ela, os números positivos dos governadores são “resultado de administrações que se apresentam como técnicas e alinhadas ao setor produtivo”. Nesse sentido, por exemplo, a gestão de Caiado em Goiás se destaca na segurança pública, com 74% de aprovação nessa área específica. Ratinho Junior tem desempenho positivo de 65% em emprego e renda no Paraná.

Desafio de transportar popularidade local para cenário nacional

Apesar do bom momento que vivem os governadores da ala da direita, isso não significa que esse capital político será migrado automaticamente para âmbito nacional. O presidente Lula é conhecido há décadas por toda a população brasileira. Os potenciais adversários dele em 2026, por outro lado, têm pouca influência fora de seus estados e precisarão contar com cabos eleitorais de peso para viabilizar uma candidatura maior.

A benção do ex-presidente Bolsonaro, por exemplo, é determinante para a direita. “Transpor [a avaliação] para o Brasil é outro jogo”, destaca o cientista político e professor do Insper Leandro Cosentino. “Apesar de serem positivas, estão nos próprios estados e não significam que tenham musculatura nacional”, acrescenta.

Para ele, fica evidente que o alarme está soando não só no governo federal, mas em toda a esquerda, com potenciais adversários chegando a 2026 em um bom momento. Mesmo assim, ele alerta que a própria direita precisa se antecipar para lançar um nome para rivalizar com Lula e ganhar corpo até o pleito.

“É um sinal para a oposição de que ela tem nomes, mas precisa se organizar para 2026, dado que ela não tem um candidato único para enfrentar a máquina governamental”, reforça Cosentino. Além disso, ele faz um paralelo com a eleição presidencial em 2018, quando Lula estava preso e levou uma possível candidatura até o limite — Fernando Haddad acabou sendo lançado pelo PT, sem tempo para ele ganhar espaço.

Para 2026, a situação é parecida, mas dessa vez com Bolsonaro. Ele ainda aposta que poderá ser candidato, deixando presidenciáveis e aliados da direita sem margem para aparecer nacionalmente com antecedência.

“Essa dificuldade de organização passa por Jair Bolsonaro. Se a direita manter acesa essa possibilidade, pior é. Quanto mais ficar dependente da figura de Jair Bolsonaro, mais difícil será para um outro nome da direita se consolidar”, complementa o professor do Insper.

Metodologia das pesquisas citadas:

  • Pesquisa Quaest 27/1: Quaest ouviu 4.500 pessoas entre os dias 23 e 26/01. O nível de confiabilidade do levantamento é de 95% e a margem de erro é de 1 ponto percentual. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos.
  • Pesquisa Quaest 27/2: A Genial/Quaest ouviu 1.644 pessoas em São Paulo (margem de erro de 2), 1.482 em Minas Gerais (margem de erro de 3), 1.400 no Rio de Janeiro (margem de erro de 3), 1.400 no Rio Grande do Sul (margem de erro de 3), 1.200 na Bahia (margem de erro de 3), 1.104 no Paraná, em Goiânia e em Pernambuco, cada (margem de erro de 3). Todas as entrevistas foram feitas entre os dias 19 e 23 de fevereiro.



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