Oscar: veja filmes e séries que combinam com os indicados – 27/02/2025 – Ilustrada


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Muito para a minha surpresa, chegamos à terceira edição de uma tradição que inventei: a lista de filmes ou séries “que casam” com indicados ao Oscar da temporada atual, obras que compartilham conexões, diálogos e influências.

Trago hoje quatro filmes e uma minissérie que têm pontos em comum —alguns mais óbvios, outros menos— com os concorrentes à maior premiação do cinema mundial.

A cerimônia do Oscar acontece neste domingo (2), às 21h, e terá transmissão da TV Globo, da TNT e da Max. Veja a lista dos indicados aqui.

Conclave (2024) e A Conspiração (2000)

Conclave. Nos cinemas, 120 min. The Contender, À La Carte, 126 min.

Em busca de um bom paralelo a “Conclave”, o drama vaticano de Edward Berger —tão suculento que acabou indicado a oito Oscars apesar de não ser mais que adaptação de um daqueles livros que se compra no aeroporto, uma combinação de John Grisham e Dan Brown—, encontrei “A Conspiração”.

Escrito e dirigido por Rod Lurie, o filme retrata a briga nos corredores do Congresso americano quando o presidente Jackson Evans (Jeff Bridges) indica à vaga de sua vice —o antecessor morreu há três semanas— a senadora Lanie Hanson (Joan Allen). No comando do processo de confirmação da indicação está Shelly Runyon (Gary Oldman, seboso como sempre), cujo favorito é Jack Hathaway (William Petersen).

Há no meio disso tudo um escândalo sexual, reviravoltas de fazer arfar e gargalhar, grandiloquentes discursos sobre o significado da democracia, das instituições americanas e do feminismo, além de ótimos atores a todo vapor —Bridges e Allen foram indicados a Oscars.

Anora (2024) e As Golpistas (2019)

Anora. Nos cinemas, 139 min. Hustlers. Disponível para aluguel em Amazon, Claro Video, iTunes e YouTube, 119 min.

O primeiro paralelo que vem à mente ao assistir a “Anora” é, talvez, “Uma Linda Mulher” (1990, Disney+), outra história de uma profissional do sexo que se vê num relacionamento com um homem rico.

Mas o filme em que eu mais pensei enquanto via a história de Anora (Mikey Madison) é “As Golpistas” (2019), de Lorene Scafaria, baseado em uma reportagem da revista New York sobre uma gangue de dançarinas exóticas que drogavam e roubavam dinheiro dos clientes ricos que frequentavam uma casa de striptease em Manhattan, após a crise econômica de 2008.

O longa de Scafaria, estrelado por Constance Wu (“Podres de Ricos”) e uma fantástica Jennifer Lopez, cuida melhor das dançarinas que retrata: a câmera sempre as enxerga como corpos inteiros e não apenas suas partes mais provocantes, e a história trata delas como pessoas completas, e não circunstâncias.

Em comum, os dois filmes veem crimes com uma certa naturalidade permissiva, mas as golpistas de Scafaria estão no controle de sua situação, enquanto Anora é mais vitimizada. A seu favor, o filme de Sean Baker tem Madison, um talento explosivo que surpreende até quem, como eu, era fã de sua série “Better Things” (2016-2022, Disney+).

A Substância (2024) e Meu Eu do Futuro (2024)

The Substance. Mubi e nos cinemas, 141 min. My Old Ass, Prime Video, 89 min.

Dois filmes da mesma temporada, escritos e dirigidos por mulheres, sobre encontrar-se com um outro eu.

Mas enquanto “A Substância”, da francesa Coralie Fargeat, se preocupa em escancarar (e levar aos seus limites mais sangrentos) o mau tratamento que a sociedade ocidental moderna dispensa às mulheres “mais velhas”, “Meu Eu do Futuro”, da canadense Megan Park, segue caminho mais delicado, mostrando às duas versões de sua Elliott (Maisy Stella e Aubrey Plaza) o valor de viver o presente.

Também em comum, nem o chocante longa estrelado por Demi Moore —agora indicada (quiçá até vencedora) a um surpreendente Oscar de melhor atriz— e a ascendente Margaret Qualley, nem sua contraparte mais melancólica são tão profundos quanto parecem querer ser.

Ainda Estou Aqui (2024) e Jackie (2016)

Ainda Estou Aqui. Nos cinemas, 138 min. Jackie. Disponível para aluguel em Amazon, Claro Video, iTunes e YouTube, 100 min.

O repórter Daniel D’Addario, da revista Variety, ao comentar em um episódio de podcast o que esperava de “Ainda Estou Aqui” só de ler a sinopse do filme disse: “Já sei, é ‘Erin Brockovich’“. Uma comparação meio torta, já que a heroína de Julia Roberts no filme de Steven Soderbergh (2000, disponível para aluguel) não tem a mesma conexão direta e familiar com o caso investigado que Eunice Paiva (Fernanda Torres), protagonista do filme de Walter Salles.

Considero mais apropriada uma comparação com “Jackie” (2016), de Pablo Larraín. Primeira parte de sua trilogia sobre mulheres históricas em encruzilhadas pessoais, o filme traz Natalie Portman (indicada ao Oscar) como Jacqueline Kennedy nos momentos e dias que se seguem ao assassinato de seu marido, o presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, num fatídico cortejo aberto em Dallas, em 22 de novembro de 1963.

Tanto Jackie quanto Eunice são mulheres colocadas em situações dificílimas, tentando manter a compostura diante de olhares alheios (do povo americano, no caso de Jackie, do Estado militar brasileiro, no caso de Eunice), proteger seus filhos, viver seus lutos e seguir suas vidas. Ambos os filmes são elevados por atuações impecáveis de suas estrelas.

O Reformatório Nickel (2024) e The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade (2021)

Nickel Boys. Prime Video, 140 min. The Underground Railroad, Prime Video, dez episódios.

Eu ainda não pude ver “O Reformatório Nickel”, que chegou nesta quinta (27) ao Prime Video sem passar pelos cinemas brasileiros. Por isso, recorro aqui a uma conexão um tanto óbvia, mas não menos relevante.

Tanto “O Reformatório Nickel” quanto “The Underground Railroad” são adaptações de obras vencedoras do Pulitzer escritas por Colson Whitehead. A primeira acompanha Elwood (Ethan Herisse), um promissor estudante negro que acaba preso e sentenciado a um reformatório para menores de idade na Flórida, onde é alvo de violência e racismo. O diretor RaMell Ross conta a história em primeira pessoa, com a câmera representando o ponto de vista de Elwood.

Já “Underground…” é uma minissérie escrita e dirigida por Barry Jenkins (“Moonlight”) que retrata a jornada de Cora (Thuso Mbedu), uma jovem escravizada no Sul americano que foge usando uma ferrovia subterrânea mantida por aliados da causa negra e ex-escravizados.

Jenkins não usa a primeira pessoa, mas sua câmera representa o olhar negro sobre o qual ele diz nunca ser questionado. Em um curta (agora infelizmente indisponível) chamado “The Gaze”, o diretor coloca atores e figurantes de “Underground…” olhando diretamente para dentro da lente da câmera, vestindo o figurino e nas locações da série, de modo a criar/recriar imagens perdidas de seus antepassados em sua completa humanidade.

O QUE ESTÁ CHEGANDO

As novidades nas principais plataformas de streaming

A Vilã das Nove (2024)

Disney+, 104 min.

Roberta (Karine Teles) descobre que decisões do seu passado agora inspiram uma novela das nove em que ela é a vilã.

Carvão (2022)

Mubi. Estreia nesta sexta (28), 107 min.

Primeiro longa da diretora brasileira Carolina Markowicz, conta a história de uma família humilde que, precisando de dinheiro, aceita abrigar em sua casa um traficante argentino. O filme estreia na Mubi como parte da coleção Estranho Mundo Moderno: Filmes de Carolina Markowicz, mas também está disponível na Globoplay e no Telecine.

O Auto da Compadecida 2 (2024)

Prime Video. Estreia nesta sexta (28), 104 min.

Sequência um tanto desnecessária (e feia) do sucesso de 2000 baseado na peça de Ariano Suassuna. Mais de 20 anos após sua morte e ressurreição, João Grilo (Matheus Nachtergaele) retorna a Taperoá, reencontra Chicó (Selton Mello) e vira pivô de uma disputa política local.

A Dona da Bola

Running Point. Netflix, primeira temporada, dez episódios.

Isla (Kate Hudson), única mulher entre os filhos da família Gordon, recebe o cargo de presidente do famoso time de basquete da dinastia, o Los Angeles Waves, depois que seu irmão é forçado a renunciar. Agora, ela terá que derrotar os duvidosos e provar que pode tocar o negócio da família.

Na Estrada com o Ex

The Road Trip. Paramount+. Estreia nesta sexta (28), seis episódios.

Numa viagem para um casamento na Espanha, as irmãs Addie (Emma Appleton) e Deb (Isabella Laughland) se veem obrigadas a dividir o carro com o ex de Addie, Dylan (Laurie Davidson), o melhor amigo dele, Marcus (David Jonsson) e um estranho.

VEJA ANTES QUE SEJA TARDE

Uma dica de filme ou série que sairá em breve das plataformas de streaming

Monk (2002-2009)

Deixa a Netflix em 14.mar. Oito temporadas, 124 episódios.

O detetive particular Adrian Monk (Tony Shalhoub) ajuda a polícia a desvendar todo tipo de crime usando seus poderes de observação e suas idiossincrasias.



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