Racionais MC’s recebem título de Doutor Honoris Causa

Os Racionais MC’s, maior grupo de rap do Brasil, receberão o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no dia 6 de março. A honraria, considerada a mais prestigiosa de uma instituição acadêmica, será concedida pela relevância da obra do grupo para o pensamento social brasileiro. A decisão foi aprovada pelo Conselho Universitário da Unicamp (CONSU) em novembro de 2023, após mobilização de alunos e professores do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). A cerimônia acontece no auditório da universidade e transmitida pelo canal oficial da Unicamp no YouTube.

Criado em 1988, o grupo paulista é formado por Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay. Com letras que abordam racismo, violência policial, desigualdade social e identidade negra, os Racionais MC’s se consolidaram como porta-vozes da periferia, influenciando gerações. Para a comissão responsável pelo título, a atuação do grupo vai além da música, inserindo-se no debate intelectual do país. “Dialogam e lutam com o pensamento social brasileiro, confrontam o racismo e as violências sociais que nos constituem enquanto sociedade”, afirmou o CONSU no parecer favorável à homenagem.

Mário Medeiros, presidente da comissão que analisou a proposta, destacou que o reconhecimento reforça a necessidade de ampliar a diversidade de vozes dentro da universidade. “A honraria também ressalta sua atuação política no combate ao racismo e às violências sociais existentes no país, destacando a crítica social incluída em sua produção”, declarou. Desde 2020, a Unicamp já havia incluído o livro Sobrevivendo no Inferno, obra que reúne as letras do álbum homônimo do grupo, como leitura obrigatória no vestibular.

A trajetória dos Racionais MC’s reflete a resistência e a denúncia das desigualdades estruturais do Brasil. Com sua produção musical, o grupo levou para o rap nacional uma abordagem documental da realidade das periferias, transformando rimas em registros históricos de uma juventude negra marginalizada. O reconhecimento pela Unicamp é visto como um marco na relação entre cultura hip-hop e academia, tradicionalmente distante desse universo.

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