Latam previa lucro de R$ 6,5 bi em parceria com Voepass


Procurada, a Latam informou que “não comenta detalhes do acordo comercial com a Voepass”.

Apesar da relação pactuada no documento, menos de uma semana após a queda do avião em Vinhedo, numa nota enviada à imprensa, a Latam afirmou que a ampliação do acordo de codeshare previa apenas “uma permuta de slots”. Sustentou, ainda, que a atualização “não implica qualquer ingerência operacional ou administrativa de uma empresa sobre a outra” – exatamente o que a atualização assinada em junho passou a prever, conforme indicado pela Voepass no processo judicial.

As duas aéreas têm um acordo de codeshare (compartilhamento de vendas de passagens para voos operados pela Voepass, ex-Passaredo) desde 2014. Em março de 2023, ele foi ampliado e, em 17 de junho de 2024, uma série de modificações mais profundas foi feita. Foi essa última alteração que permitiu acesso quase total da Latam a documentos da Voepass, 50 dias antes do acidente.

Os termos dessa remodelagem de junho de 2024 nunca foram tornados públicos. O que se sabe a respeito vinha de informações disponíveis em um processo administrativo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), no qual foi analisado o pedido de ampliação do acordo de codeshare. Uma das informações que ficaram disponíveis a respeito do contrato é que ele previa a possibilidade de “assistência técnica e outras atividades destinadas à redução de custos da VoePass”, por parte da Latam.

Os novos detalhes, obtidos pelo UOL, estão presentes em processo ajuizado em fevereiro pela Voepass, no qual a empresa cobra da Latam o pagamento de R$ 34,7 milhões, em razão de, entre outros fatores, a Latam ter suspendido, meses depois do acidente, a operação de quatro aeronaves que faziam parte do acordo de codeshare. Em agosto, mês do acidente, a Voepass afirma que 93% de seu faturamento decorria do acordo com a Latam.

Na ação judicial, o contrato adicional no acordo de codeshare (contrato de “nova parceria”, segundo a Voepass) foi apresentado como anexo sigiloso. Informações sobre ele, no entanto, estão descritas no processo e mostram que a Latam tinha franco acesso a documentos internos da Voepass.





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