É incompatível comparar julgamento de golpe com o mensalão


A antropóloga listou uma série de questões que diferenciam os dois casos, como a evolução da tecnologia e a própria disparidade entre os dois crimes julgados.

Comparar com o mensalão, tem uma série de problemas. Primeiro, quando a gente teve o julgamento do mensalão, a própria tecnologia era diferente. A justiça brasileira precisou de um prazo para pegar o que estava em papel e digitalizar para ficar acessível para todas as partes. Hoje já não é mais assim. Hoje todos os processos já são digitais.

Então, a tecnologia mudou, a Corte tem uma configuração que é diferente da do mensalão, não são os mesmos ministros. Tem muita coisa que aconteceu. A gente tem uma expertise diferente, a Corte e todo o sistema de justiça aprendeu com os erros e acertos do mensalão.

Por último, são processos diferentes. Uma coisa é a gente julgar o mensalão, e aí eu não estou minimizando a relevância do julgamento do mensalão, mas outra coisa é julgar uma tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, uma tentativa de golpe do Estado. A gente está falando de coisas que são distintas. A comparação é válida para a gente ter parâmetro, mas a gente tem que ter muito cuidado com essa comparação.
Isabela Kalil

Para finalizar, Kalil destacou que a comparação é uma tentativa de minimizar e colocar os atos do 8 de janeiro como se eles fossem menores.

Essa comparação é uma tentativa também de minimizar os atos do 8 de janeiro e colocar os atos do 8 de janeiro como se eles fossem atos menores. Corrupção é um ato menor? Nesse caso, basicamente, a ideia é a seguinte. Quando a gente está falando de corrupção, a gente está falando de crimes que estão acontecendo dentro do nosso sistema.





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