Trapiche da Praia da Saudade: começam as oficinas para debater o destino do píer.  

Iniciaram nesta quarta-feira, 26, as oficinas promovidas pela prefeitura de Florianópolis para debater o destino do Trapiche da Praia da Saudade. O encontro, que aconteceu na sede da Guarda Municipal, em Coqueiros, foi conduzido pelo secretário adjunto do Continente, Bruno Becker, e a abertura apresentada pelo engenheiro Ricardo Junkes, da Infraestrutura.

Como ficou definido pelas duas secretarias, serão promovidas três reuniões. A proposta, segundo Bruno, é apresentar o projeto da obra para ver se ele vai atender às necessidades da comunidade ou quais alternativas que as entidades presentes poderiam sugerir como melhorias para o projeto.

No entanto, mais uma vez, a Secretaria da Infraestrutura não exibiu a imagem do projeto original de Reconstrução do Trapiche da Praia da Saudade, a exemplo do divulgado pelo prefeito Topázio Neto – em setembro de 2022 – quando do lançamento da ordem de serviço para início da demolição e nova edificação.

Ao contrário, Ricardo Junkes apresentou apenas plantas e anotações técnicas da construção, assuntos desconhecidos da maioria dos presentes. O fato foi contestado pela jornalista Sibyla Loureiro, representando a Folha de Coqueiros, e as imagens do projeto, refletidas na praia, foram cedidas pelo presidente do Conseg, Daniel Marques.

O engenheiro também mostrou as etapas de demolição do trapiche até a paralisação da obra, que aconteceu em dezembro de 2023 (foto abaixo). Segundo ele, a determinação de encerrar os trabalhos aconteceu em maio de 2024 depois “que moradores indicaram, em conversas, que o projeto não atenderia às necessidades locais”.

Ricardo Junkes exibiu ainda o desenho da proposta do Conseg, que defende a construção de um novo píer contornando o lado esquerdo da praia, ao lado do Colégio Visão.

NOVOS FATOS

Ao final da sua apresentação, uma novidade chamou a atenção das entidades presentes: os desenhos técnicos do projeto original exibidos pelo engenheiro não preveem acesso à praia e nem à ilhota a exemplo do antigo trapiche, que mantinha escadas tanto para ingressar na praia como para a ilhota.

Ou seja, o trapiche seria uma passarela retilínea que iria do final da Rua José do Valle Pereira, até o limite da ilhota.  Nele, estão projetados bancos, pergolado e, ao contrário do antigo, o piso seria de madeira ao invés de concreto (ver projeto abaixo).

MANIFESTAÇÕES

Após a palavra aberta, por cinco minutos, para cada entidade, foi possível concluir que, mais uma vez, houve divergência de opiniões em torno do projeto original e a proposta apresentada pelo Conselho de Segurança de Coqueiros (Conseg 31).

De um lado, representantes das associações do Bairro Abraão (Delmar Corrêa); da Vila Aparecida (Dalton Santos); do Bloco da Bernunça (Roberto Vaz) e do Codecon (Dalton Malucelli), além do presidente do Conseg, Daniel Marques, em defesa do novo traçado.

 A justificativa seria de manter a praia sem nenhuma intervenção, prática que beneficiaria o lazer das crianças, a pesca e evitaria invasões indesejadas. Ainda foram defendidas as questões ambientais, facilidade na condução da obra e melhor acesso pela orla.

Do outro lado, representantes das associações de Coqueiros  (Fellipe Hofmann); do Bom Abrigo (Isete Althoff); da Folha de Coqueiros (Sibyla Loureiro); e do Blog do Abraão (Márcia Quartiero), se posicionaram na defesa do projeto original.

De acordo com eles, a principal justificativa em manter o píer tradicional é de que já existe verba garantida, licenças ambientais e projeto pronto divulgado pela própria prefeitura. Sendo assim, qual o motivo de o Executivo Municipal interromper uma obra que, inclusive, está respaldada por abaixo-assinado entregue ao secretário da Infraestrutura Rafael Hanhe?

Além disso, a defesa se baseia na preservação paisagística e cultural do bairro e na memória afetiva de moradores. Afinal, “o charme de Coqueiros está na sua origem, na sua história”, diz matéria publicada no Portal ND. Então, como não manter um patrimônio do bairro construído há mais de 60 anos? Que alterações do projeto podem gerar atrasos ainda maiores?, questionamentos feitos pelas entidades.

Também se manifestaram os vereadores presentes, Luiz Fernando Bezerra e a representante do vereador Leonel Camasão, Elaine Sallas.

Na sua fala, Elaine mostrou preocupação com o novo projeto que o Conseg está apoiando. Segundo ela, por ser “encostado” na Escola Visão, a segurança dos moradores e comerciantes próximos não tende a melhorar e propôs trazer o 22º BPM, que atende o Continente, na próxima reunião para analisar a questão.

Outro ponto importante levantado por Elaine trata-se da aplicação do dinheiro público. “Pensar em modificação, é pensar em aditivo’, destacou. Ela também defendeu o aspecto histórico e a preservação da identidade do bairro.

ENCAMINHAMENTOS

Ao final do encontro, foi entregue um questionário impresso e também enviado no formato digital para entidades responderem como sugestão aos projetos apresentados.

E, para quem ainda não havia se expressado, foi cedido um tempo para cada um, já que cada entidade, pelas regras da organização, havia participado com dois integrantes.

Conselheira da Pró-Coqueiros, Elaine Otto sugeriu que para as próximas reuniões incorporassem mais instituições como: associação dos pescadores, projeto Coqueiros-Luz, Udesc e UFSC. Pessoas com perfil técnico para analisar e contribuir ao debate.

QUEM FOI

Participaram ainda do encontro a intendente de Coqueiros, Janaína Bezerra, o ex-presidente da Associação do Bairro Abraão, Paulo Rodrigues, o integrante da Comissão de Ética do Conseg, Gilmar Moreira, e o presidente da Associação de Moradores do Bom Abrigo, Eduardo Mautone.

FOTOS MÁRCIA QUARTIERO/BLOG DO ABRAÃO
TEXTO SIBYLA LOUREIRO/FOLHA DE COQUEIROS

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