Baiana diz ter sofrido racismo de turista argentina na BA – 01/04/2025 – Cotidiano


Uma baiana de receptivo, profissional que usa trajes típicos para receber visitantes na Bahia, diz ter sido acusada de furto por uma turista argentina na última sexta-feira (28), na Praia do Forte, na cidade de Mata de São João. Ela entrou em uma loja e tirou toda a roupa que vestia para provar que não teria cometido o crime.

À Folha Jucione Costa Silva, 48, afirma que foi vítima de racismo e que não consegue trabalhar desde então. Segundo ela, a turista e o marido pediram para tirar fotos com ela, que cobra R$ 25 pelo serviço.

Ao procurar a carteira para realizar o pagamento, a mulher não encontrou o item na bolsa e, em seguida, teria acusado a baiana de furto.

Procurada, a Polícia Civil da Bahia informou que foi lavrado um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) contra uma mulher de 53 anos, sob suspeita de calúnia.

“Quando ela não achou a carteira, o marido perguntou se ela não tinha esquecido numa das lojas. Ela foi lá, não achou, e já voltou louca, dizendo que eu tinha pegado a carteira dela. Começou a gritar, dizendo que eu era ‘ladrona’, pedindo para ninguém tirar foto comigo, que eu tinha roubado a carteira dela. Eu fiquei muito assustada e entrei na loja, tirei toda a roupa e ainda assim ela disse que eu tinha escondido a carteira dentro do meu macaquinho. Fui para outro canto e fiquei só de calcinha e sutiã, para ela ver que eu realmente não tinha pegado a carteira dela”, contou Jucione.

Ao ver que a baiana de receptivo não estava com a carteira, a mulher teria saído da loja. Foi nesse momento que Jucione pediu socorro e para que chamassem a polícia. A carteira, acrescenta, foi encontrada em uma das lojas que a argentina visitou durante o passeio.

“É mais um episódio em que nós, negros trabalhadores, passamos no dia a dia. Eu chamei a polícia e pedi para segurarem ela porque não eu iria sair de ‘ladrona’, sendo que ela achou a carteira na loja. Na delegacia, eles [o casal] me ofereceram uma propina de R$ 250 para esquecer o assunto. Depois, me pediram para falar por telefone com um amigo deles, brasileiro, também querendo que eu deixasse para lá, e eu disse que não faria isso.”

Jucione afirma que ficou traumatizada e, por isso, não voltou a trabalhar. “Eu estou bem abatida. Estou sem dinheiro, porque a vida só funciona se a gente trabalhar. E o que eu quero agora é justiça”, ressaltou.



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