Rastreio do câncer de mama deve ser feito a partir dos 40 anos nos planos de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) alterou os critérios de mamografia do Programa de Certificação de Boas Práticas em Atenção Oncológica, após reivindicações de entidades médicas. Agora, para obter a certificação, os planos de saúde deverão garantir o exame para pessoas entre 40 e 74 anos e, a cada dois anos, convocar todas as usuárias de 50 a 69 anos para a realização do rastreamento.

A decisão resulta de um longo debate iniciado em dezembro do ano passado, quando a ANS abriu consulta pública sobre o programa. Entidades como o Colégio Brasileiro de Radiologia, a Sociedade Brasileira de Mastologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia pressionaram pela ampliação do acesso à mamografia.

Embora a atualização dos critérios represente um avanço na detecção precoce da doença, a Agência esclarece que as mudanças se aplicam exclusivamente ao programa de certificação. O chamado rol obrigatório, que lista os procedimentos que os planos de saúde devem cobrir por lei, continua garantindo mamografia bilateral sempre que houver necessidade e mamografia digital de rastreamento para todas as mulheres de 40 a 69 anos.

Debate sobre a faixa etária

Inicialmente, a ANS adotava as diretrizes do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que recomendam a mamografia de rastreamento apenas para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. No entanto, entidades médicas contestaram essa orientação, argumentando que uma parcela crescente dos casos de câncer de mama atinge mulheres com menos de 50 anos.

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O Inca, por sua vez, mantém a posição de que o rastreamento abaixo dessa idade não é tão eficaz, pois a alta densidade mamária de mulheres jovens pode resultar em falsos positivos, exigindo exames complementares para descartar diagnósticos errôneos. Além disso, o instituto destaca que estudos científicos não indicam um aumento significativo da sobrevida ao ampliar a faixa etária da mamografia preventiva.

Independentemente do impasse, os números reforçam a necessidade de estratégias eficazes de rastreamento. O câncer de mama representa 29% dos novos casos de câncer no Brasil, segundo o Inca. Já a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), projeta um aumento de 38% nos casos globais da doença até 2050, ultrapassando 3,3 milhões de diagnósticos e 1,1 milhão de mortes anuais.

Cenário estadual

No Brasil, o Inca estima 704 mil novos casos de câncer por ano entre 2023 e 2025. Em Goiás, somente em 2023, foram registrados mais de 15 mil novos casos e 7,6 mil mortes pela doença. O câncer de mama segue como o mais frequente entre as mulheres, enquanto nos homens a principal incidência é o câncer de próstata.

O estado investe anualmente R$ 35 milhões no tratamento oncológico e, entre 2018 e 2024, realizou mais de 31 mil cirurgias oncológicas, além de 1,2 milhão de consultas, exames e tratamentos para pacientes diagnosticados com câncer.
Goiás também foi pioneiro ao oferecer, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o teste genético para detecção de mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2, associados ao câncer de mama hereditário. O exame auxilia na identificação de mulheres com maior predisposição à doença, permitindo um acompanhamento mais rigoroso e personalizado.

Processo do diagnóstico

O diagnóstico do câncer de mama pode ser realizado por diferentes métodos, sendo a mamografia o principal exame de rastreamento. Esse procedimento permite detectar tumores antes que sejam palpáveis, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido.
O exame clínico das mamas, a ultrassonografia e a ressonância magnética podem ser utilizados de forma complementar, especialmente em mulheres com histórico familiar da doença.

A confirmação do diagnóstico, no entanto, só ocorre por meio da biópsia, em que um fragmento do tecido suspeito é analisado em laboratório. Avanços científicos recentes apontam novas possibilidades para a detecção precoce, como o uso de biomarcadores. Estudos indicam que proteínas circulantes, microRNAs e fragmentos de DNA tumoral podem contribuir para identificar a doença em estágios iniciais, reduzindo a necessidade de exames invasivos.

O rastreamento regular tem impacto direto na redução da mortalidade. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em populações com acesso à mamografia periódica, a taxa de óbitos pode diminuir entre 15% e 45%.

Prevenção

Embora a herança genética seja um fator de risco importante, especialistas alertam que a adoção de um estilo de vida saudável pode reduzir significativamente as chances de desenvolver câncer de mama. O Ministério da Saúde recomenda uma dieta rica em frutas, verduras e legumes, além da prática regular de atividade física.
Estudos indicam que uma alimentação equilibrada, aliada a exercícios físicos, pode diminuir em até 28% o risco de câncer de mama. Outro fator preventivo relevante é a amamentação, que contribui para reduzir a exposição a hormônios que podem estimular o crescimento de células cancerígenas.

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