Seguro de vida não é herança; entenda como dimensionar – 02/04/2025 – De Grão em Grão


Você já reclamou que o ar-condicionado está caro, mas só depois percebeu que estava comprando um de 18 mil BTUs para um quarto pequeno de 9 metros quadrados? O preço parece salgado, mas não porque o aparelho seja caro. O problema é que você escolheu um modelo superdimensionado para a sua necessidade. Com seguro de vida, acontece algo similar.

Muita gente confunde e acredita que seguro de vida é para deixar a família milionária. Essa foi a confusão de um leitor que com uma renda de R$ 10 mil gostaria de deixar um seguro de vida de R$ 5 milhões. Parece ótimo para a família, mas está superdimensionado. Sua família não deveria ficar rica com sua falta.

O valor ideal não é aquele que deixa a família rica caso algo aconteça com o provedor. O objetivo de um seguro de vida não é enriquecer ninguém. O propósito é garantir estabilidade por um tempo razoável, dar espaço para que a família se reorganize com dignidade e cumprir os compromissos financeiros mais importantes deixados para trás.

Quando esse conceito é entendido, tudo muda. O seguro deixa de parecer caro, porque deixa de ser superdimensionado.

Vamos a um exemplo simples. Imagine um pai que custeia R$ 5 mil mensais em educação para seus filhos e deseja garantir que esse valor continue disponível pelos próximos 10 anos. Basta trazer esse valor a valor presente com uma taxa de desconto compatível com uma aplicação conservadora, por exemplo, IPCA+6% ao ano. O resultado é um seguro de aproximadamente R$ 450 mil. Parece muito? É bem menos do que o senso comum apontaria.

Outro caso comum é o de quem deseja garantir o custo de vida da família por 5 anos. O prazo de 5 anos é comumente usado, pois é suficiente para que sua família se adeque financeiramente e consiga suprir parte da renda por outra fonte.

Seguindo o exemplo, suponha uma renda mensal de R$ 10 mil. Se usarmos uma taxa de desconto real de IPCA + 6% ao ano, o valor presente necessário gira em torno de R$ 520 mil. É uma proteção temporária e proporcional ao impacto real da ausência de renda — e não um seguro vitalício de milhões que poderia tornar o prêmio mensal proibitivo.

O erro está em superdimensionar o montante necessário. Lembre-se, a vida muda, os filhos crescem, as necessidades diminuem. O seguro deve ser revisto periodicamente, ajustado ao momento de vida e aos objetivos que se deseja proteger. Assim como você troca o ar-condicionado ao mudar de casa, é preciso calibrar o seguro à medida que o contexto muda.

Portanto, o seguro ideal não é o maior que você pode pagar. É o que resolve o problema real. O que garante tranquilidade sem comprometer o orçamento. O que está sob medida — nem mais, nem menos. Porque, no fim das contas, o que parece caro pode estar apenas mal escolhido.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

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