Dez promotores recusam caso de advogada chamada de cadela – 02/04/2025 – Mônica Bergamo


A ação que a advogada criminalista Catharina Estrella move contra o promotor Walber Luís do Nascimento por ter sido comparada por ele a uma cadela em uma audiência está parada há mais de um ano. A razão: dez promotores e um juiz se declararam suspeitos para analisar o caso.

A defesa da advogada, feita pelos advogados Alberto Zacharias Toron e Renato Marques, afirma que o comportamento dos representantes do Ministério Público é “vergonhoso” e que o caso pode prescrever.

O episódio ocorreu em setembro de 2023 durante uma sessão na 3ª Vara do Tribunal do Júri do Amazonas. Nascimento disse que comparar uma cadela à advogada seria uma “ofensa” ao animal. A fala, dita no momento da réplica da acusação, foi gravada e viralizou nas redes sociais.

“Se tem uma característica que o cachorro tem, doutora Catharina, é lealdade. Eles são leais, são puros, são sinceros, são verdadeiros. E, no quesito lealdade e me referindo especificamente a vossa excelência, comparar vossa excelência com uma cadela é muito ofensivo. Mas não à vossa excelência, à cadela”, disse Nascimento durante o interrogatório de uma testemunha.

No mês seguinte, em outubro de 2023, a advogada apresentou à Justiça uma queixa-crime contra ele.

O juiz Carlos Henrique Jardim da Silva, que presidia a sessão, foi responsabilizado por omissão pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que aplicou a ele, em fevereiro, a pena de censura.

Já o processo contra o promotor não avançou por causa dos sucessivos impedimentos declarados pelos colegas que deveriam se pronunciar sobre o caso.

“Vergonhoso o comportamento do promotor de Justiça, mas tão vergonhoso quanto é a sucessão de colegas se declarando impedidos de atuar e, com isso, impedindo o andamento da ação penal e consagrando a impunidade”, diz o advogado Alberto Toron.

“É uma dor que só quem é mulher sabe. Ser inferiorizada por ter nascido mulher é algo que me revolta muito”, afirma a advogada à coluna. “Ele [o promotor] usa o sistema para se safar. Não acolheram minha dor, não tomaram providência. Estou há mais de um ano e meio [esperando]”, diz.

Procurado, o advogado do promotor, Bruno Infante Fonseca, diz em nota que “não cabe a este advogado ou ao seu constituinte apresentar manifestação sobre o andamento do processo, ou a conduta de qualquer servidor público que, até o momento, agiram dentro da mais completa legalidade e baseada nos permissivos funcionais de suas atividades”.

“Reiteramos que não temos conhecimento das alegações que serão publicadas e repudiamos com veemência qualquer tentativa de intimidação aos servidores do Poder Judiciário Amazonense e ao Ministério Público do Amazonas”, afirma ainda.

Os promotores que se declararam suspeitos são: Marlene Franco da Silva (1ª promotoria), Rogeanne Oliveira Gomes da Silva (2ª promotoria), Carlos José Alves de Araujo (96ª promotoria), Ítalo Klinger Rodrigues do Nascimento (3ª promotoria), Marcio Fernando Nogueira Borges de Campos (90ª promotoria), Valber Diniz da Silva (80ª promotoria), Carolina Monteiro Chagas Maia (12ª promotoria). Se soma à lista o juiz Luíz Alberto Nascimento Albuquerque.

Procurado, o Tribunal do Amazonas diz que “não se manifestará sobre o referido processo em trâmite”.

OLHAR

O jornalista e fotógrafo Hélio Campos Mello recebeu convidados na abertura da exposição “Discretas Janelas” no Bar Balcão, em São Paulo, na segunda-feira (31). O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o empresário Antoninho Trevisan e o arquiteto Pedro Mendes da Rocha estiveram lá.

com KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e MANOELLA SMITH


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