Cerca de 3% da população brasileira sofre de fibromialgia

A fibromialgia é uma condição frequentemente silenciosa e ainda pouco reconhecida, que atinge principalmente mulheres. A falta de exames específicos para diagnosticá-la e a ausência de sintomas visíveis muitas vezes fazem com que a doença passe despercebida. 

Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apontam que cerca de 3% da população brasileira sofre de fibromialgia, sendo que 7 a 9 em cada 10 pacientes diagnosticados são mulheres. Apesar de não causar deformidades físicas ou limitar a mobilidade, a dor persistente e generalizada que caracteriza a fibromialgia pode afetar profundamente a qualidade de vida de quem sofre com ela.

A dor intensa e difusa, que pode se prolongar por mais de três meses, ocorre devido a um distúrbio no sistema nervoso central, fazendo com que estímulos normalmente inofensivos, como toque ou mudanças de temperatura, sejam percebidos como dor aguda. Esse processo pode se estender até órgãos internos, causando sintomas como cólicas, dores no peito e desconfortos difíceis de identificar a causa.

Além da dor, a fibromialgia também pode causar fadiga extrema, distúrbios no sono, dificuldades de concentração, problemas de memória, além de agravar níveis de ansiedade e depressão. Como não existem exames específicos para o diagnóstico, a doença é identificada por meio de uma avaliação clínica detalhada, análise dos sintomas e exclusão de outras condições com sintomas semelhantes, como problemas na tireoide ou deficiências nutricionais.

Em mulheres, a fibromialgia pode ter um impacto negativo também na saúde sexual, com dores pélvicas e dispareunia, dor durante a relação sexual, muitas vezes associadas a condições como vaginismo ou secura vaginal, afetando a qualidade de vida sexual. Além disso, o acúmulo de tarefas diárias, como trabalho, cuidados com a casa e a família, pode sobrecarregar ainda mais as mulheres, piorando tanto os sintomas físicos quanto emocionais.

Embora os fatores exatos da fibromialgia ainda não sejam totalmente compreendidos, pesquisas sugerem uma predisposição genética para a doença. Pessoas com histórico familiar de fibromialgia ou de condições relacionadas, como enxaqueca, síndrome do intestino irritável, ansiedade e depressão, têm maior chance de desenvolver a condição. Além disso, fatores de estresse físico e emocional também são conhecidos como possíveis desencadeantes para o surgimento da fibromialgia.

Tratamento

O tratamento da fibromialgia pode ser eficaz na redução dos sintomas e na melhora da qualidade de vida das pacientes. A adoção de abordagens não-medicamentosas, como a prática regular de exercícios físicos, desempenha um papel essencial. Para as mulheres com fibromialgia, é recomendável iniciar com atividades de baixo impacto, como caminhadas e alongamentos, progredindo gradualmente para exercícios mais intensos, como musculação.

O exercício físico é crucial não só para a redução da dor, mas também para aumentar a disposição e o bem-estar geral das pacientes. O ideal é que o início da atividade física seja gradual, começando com exercícios de baixo impacto, como caminhadas, alongamentos e atividades aeróbicas leves. 

Com o tempo, exercícios mais desafiadores, como musculação, podem ser introduzidos, ajudando no fortalecimento muscular e alívio da dor crônica. Contudo, é importante que a prática seja supervisionada por um profissional de saúde para evitar lesões ou piora dos sintomas.

Outro aspecto fundamental no tratamento da fibromialgia é a higiene do sono. Muitas pacientes enfrentam dificuldades para dormir, e o sono reparador é crucial para o controle da dor e a recuperação. 

Estabelecer uma rotina de sono consistente, com horários regulares para dormir e acordar, além de criar um ambiente tranquilo, escuro e livre de estímulos, como telas de dispositivos eletrônicos, pode fazer uma grande diferença. Também é aconselhável evitar alimentos pesados ou bebidas alcoólicas antes de dormir, pois podem prejudicar a qualidade do sono.

As terapias psicológicas, especialmente as cognitivo-comportamentais, são igualmente importantes no tratamento da fibromialgia. Essas abordagens ajudam as pacientes a lidarem com a dor e o estresse, além de contribuírem para a redução da ansiedade e da depressão. Por meio dessas terapias, as pacientes aprendem técnicas de enfrentamento, o que possibilita um maior controle sobre a dor e melhora o bem-estar emocional.

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