Porque os ferroviários da CPTM vão entrar em greve

Greve dos ferroviários defende o cancelamento do leilão de 3 linhas da CPTM, além de defender um serviço público de qualidade. Foto: Betyna Ribeiro (JAV/SP)

A partir da meia-noite, os trens e estações da CPTM vão parar em São Paulo e região metropolitana devido a uma greve dos ferroviários. Conheça mais sobre as bandeiras da paralisação, como o cancelamento do leilão das linhas 11, 12, 13 proposto por Tarcísio e a defesa de um serviço público de qualidade para o povo trabalhador.

Nathalia Vergara | Redação SP


Em assembleia marcada pela presença de dezenas de ferroviários, movimentos sociais e o Jornal A Verdade, trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) aprovaram uma greve por tempo indeterminado, a partir do dia 26 de março, para impedir a privatização das linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Diante disto, o jornal A Verdade explica tudo o que é necessário saber sobre esta histórica greve da categoria.

Por que fazer greve?

Diariamente, nota-se a precarização dos serviços do trem e metrô de São Paulo com objetivo de justificar a necessidade de entregar bens essenciais à população, como o transporte público, para a iniciativa privada. O projeto de concessão do Lote Alto Tietê, que afeta diretamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, surgiu para dar andamento na política privatista de Tarcísio de Freitas, que apenas beneficia seus aliados, empresários e empresas estrangeiras.

A ameaça de privatização teve início no primeiro semestre de 2024, após a concessão da linha 7-Rubi. A população demonstrou sua contrariedade à venda dos serviços públicos paulistas em plebiscito popular e os trabalhadores fizeram a denúncia das concessões em uma audiência pública em junho de 2024. Mesmo assim, o governo fascista de São Paulo publicou o edital do leilão com a data para 28 de março de 2025.

Somando a isto e à falta de concurso público para atender as demandas da ferrovia, no final do ano passado, o governo também ameaçou os trabalhadores com o Programa de Demissão Incentivada (PDI). O programa, diretamente relacionado com a concessão, tem como objetivo demitir 72% da categoria, ou seja, 4200 trabalhadores da ferrovia.

Quais linhas serão paralisadas?

A partir da meia noite do dia 26 de março de 2025, as linhas paralisadas serão justamente as ameaçadas pelo leilão: linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, representadas pelo sindicato Central do Brasil.

Quando acaba?

Colocando um basta nas ameaças do fascista Tarcísio de Freitas, que insiste em mentir para a população que os serviços de transporte melhorarão, os trabalhadores deflagraram greve reivindicando o cancelamento do leilão das linhas do Alto Tietê e que nenhum ferroviário seja demitido durante ou após a greve.

Se as reivindicações não forem ouvidas, a categoria ferroviária se manterá em greve, de forma cada vez mais intensificada. Desta forma, a greve será por tempo indeterminado, com piquetes diários até a vitória da categoria e também da população.

O que diz a categoria?

De acordo com um técnico de manutenção no departamento de edificações que pediu para não ser identificado para evitar represálias, o clima de revolta na empresa cresceu após a concessão da Linha 7-Rubi. “É compreensível, é muito difícil se doar 100% para um emprego que você não sabe se vai existir amanhã”, diz.

Mesmo assim, a categoria segue na luta contra a privatização e em defesa de um serviço público, de qualidade e para todos. Ainda de acordo com o ferroviário, a greve na CPTM e a organização de classe são as únicas soluções possíveis. “Atividades contra as privatizações, atos públicos, panfletagens, greve: tudo isso só será efetivo se os ferroviários estiverem unidos nessa causa. O pior resultado que nós podemos esperar é o mesmo de não fazer nada. Logo, ao meu ver, nós só temos a ganhar nos organizando”, conclui emulado.

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