Quem é Cory Booker, que bateu recorde de fala mais longa – 01/04/2025 – Mundo


O senador democrata Cory Booker, 55, incomodava-se com o fato de que Strom Thurmond (1902 – 2003), conhecido por suas defesas a políticas segregacionistas, ainda era lembrado mais de 20 anos após a sua morte também por ter feito o discurso mais longo da história do Senado dos Estados Unidos.

Primeiro senador negro eleito por Nova Jersey, Booker agora ocupa o topo da lista. Ele quebrou o recorde na noite desta terça-feira (1º) com um fala de 25 horas e cinco minutos repleta de críticas ao que chama de ações inconstitucionais que estariam sendo levadas a cabo pelo presidente Donald Trump.

O feito deu a Booker projeção. Somente na plataforma TikTok, a transmissão ao vivo do discurso recebeu mais de 280 milhões de curtidas, segundo sua equipe. Também deu visibilidade às bandeiras levantadas pelos democratas, cuja oposição a Trump tem sido apontada como frágil na maioria das frentes.

Em seu mandato, Booker tem pedido união dos americanos. O democrata conta, inclusive, que já foi alvo de discriminação. Nascido em Washington, ele se mudou para Nova Jersey quando criança. Sua família, diz, então sofreu racismo ao tentar comprar uma casa em um bairro predominantemente branco.

Formado em direito pela Universidade Yale, Booker atuou como advogado em organizações sem fins lucrativos, prestando assistência jurídica a famílias pobres. Ele entrou para a política em 1998 ao conquistar uma cadeira no conselho municipal de Newark. Em 2006, foi eleito prefeito da mesma cidade e ganhou destaque devido a iniciativas sobre controle de armas e combate à violência.

A corrida pela prefeitura foi ao estilo Davi contra Golias e acabou retratada no documentário “Street Fight” (2005), de Marshall Curry. Booker, ainda desconhecido dos eleitores, superou o então prefeito Sharpe James, 66, que estava no cargo havia 16 anos.

Mas Booker só ficou conhecido nacionalmente em 2012, quando ainda era prefeito e salvou uma mulher de uma casa em chamas. “Eu simplesmente a agarrei e a tirei da cama”, disse ele à época. A atitude lhe rendeu elogios até da popular apresentadora Oprah Winfrey, que o descreveu como um político popstar.

Após a morte do senador democrata Frank Lautenberg, em 2013, Booker venceu uma eleição especial e conquistou um assento na Casa. No ano seguinte, foi eleito com facilidade para o seu primeiro mandato completo.

No Congresso, atuou para impedir o fim do Obamacare, programa de assistência de saúde subsidiado pelo governo. Em 2018, ajudou a aprovar reforma que reduziu penas para certos crimes federais. Atualmente, é presidente do Comitê de Comunicação Estratégica do Partido Democrata.

Por vezes comparado ao ex-presidente Barack Obama, Booker disputou a candidatura à Presidência pelo Partido Democrata em 2019. No palanque, pediu aos eleitores que usassem o “amor radical” para superar o “ódio do Trump”. Também destacou suas habilidades de negociação bipartidária e acenou aos mais progressistas, defendendo uma reforma no sistema criminal e a legalização do mercado de cannabis.

Mas a candidatura não decolou, e Booker acabou desistindo da corrida, posteriormente vencida por Joe Biden. Segundo críticos, à época ele ainda não tinha envergadura nacional, algo que agora projeta ao fazer o discurso mais longo da história do Senado.



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